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Blog » Sustentabilidade na construção civil: Selos verdes nos edifícios de Balneário Camboriú

Sustentabilidade na construção civil: Selos verdes nos edifícios de Balneário Camboriú
Publicado em 22/Set/2026
Sem Categoria

Quem acompanha o mercado de Balneário Camboriú há alguns anos percebeu uma mudança clara na conversa com os compradores. Há uma década, as perguntas giravam em torno da vista, da metragem e do número de vagas. Hoje, cada vez mais clientes querem saber quanto o condomínio vai custar por mês, se o prédio reaproveita água da chuva, se tem geração de energia própria e, principalmente, se possui algum selo verde.

Trabalho há mais de 10 anos intermediando imóveis em Balneário Camboriú e posso dizer com tranquilidade: a sustentabilidade deixou de ser um detalhe de folheto de lançamento. Ela passou a pesar no preço, na liquidez e na satisfação de quem mora. Neste guia, explico o que são os selos verdes, quais edifícios da cidade já trabalham com eles, o que muda no seu bolso e como avaliar se a certificação de um empreendimento é real antes de assinar qualquer contrato.

O que são os selos verdes na construção civil

Selo verde é uma certificação concedida por uma entidade independente que avalia se um edifício foi projetado, construído e, em alguns casos, operado seguindo critérios de sustentabilidade. Não é a construtora que se autodeclara "sustentável". Existe uma auditoria técnica, com pontuação, documentação e verificação.

Para o comprador, isso funciona como uma espécie de garantia de desempenho. Um prédio certificado precisou comprovar que gasta menos energia, economiza água, oferece ambientes internos mais saudáveis e gerencia melhor os resíduos.

Selo LEED

É o mais conhecido do mundo e o que mais aparece nos lançamentos de alto padrão da cidade. Foi criado nos Estados Unidos pelo U.S. Green Building Council e avalia o edifício por pontos, em um total de 110. Para chegar ao nível Platinum, o mais alto, o projeto precisa somar mais de 80 pontos. Entram na conta a eficiência energética, a gestão da água, a qualidade do ambiente interno, os materiais utilizados, a inovação do projeto e as prioridades da região onde ele está.

Os níveis do LEED, do mais simples ao mais exigente, são:

  1. Certified
  2. Silver
  3. Gold
  4. Platinum

Certificação GBC Brasil Condomínio

É uma versão pensada para a realidade residencial brasileira. Ela é dividida nas categorias Verde, Prata, Ouro e Platina e avalia o impacto ambiental do edifício tanto durante a obra quanto no uso, incluindo consumo de água e energia, qualidade do ambiente interno e descarte de lixo.

Selo WELL

Enquanto o LEED olha muito para o impacto ambiental, o WELL foca na saúde de quem mora. Ele avalia qualidade do ar, da água, iluminação, conforto acústico e térmico, estímulo à atividade física e até o impacto do ambiente na saúde mental. É um selo que conversa diretamente com o comprador que busca qualidade de vida.

Outros selos que você pode encontrar

Além dos principais, alguns empreendimentos apresentam outras certificações:

  • AQUA HQE: versão brasileira de uma metodologia francesa, muito usada em projetos residenciais e comerciais.
  • EDGE: exige economia mínima comprovada de energia, de água e da energia gasta na produção dos materiais.
  • Procel Edifica: etiqueta nacional que classifica a eficiência energética da edificação, parecida com a etiqueta de eletrodomésticos.

Por que Balneário Camboriú virou vitrine da construção sustentável

Balneário Camboriú construiu sua fama com torres altas e projetos ousados. Em 2026, a cidade já soma cerca de 30 edifícios com mais de 150 metros de altura, cinco deles acima de 200 metros. Quando você constrói nessa escala, eficiência deixa de ser opcional. Um prédio com dezenas de elevadores, piscinas aquecidas, academias e áreas de lazer gigantescas consome muita energia e muita água. Sem tecnologia, o condomínio vira uma conta pesada para o morador.

Além disso, o público comprador mudou. Investidores estrangeiros, famílias vindas de grandes capitais e empresários acostumados a padrões internacionais chegam à cidade já perguntando sobre certificações. As incorporadoras entenderam o recado.

Edifício Elbrus: pioneirismo no Centro

Na Rua 3300, esquina com a Terceira Avenida, o Edifício Elbrus ficou conhecido como o primeiro residencial do Brasil a obter a certificação prévia LEED Platinum. Isso quer dizer que o projeto já cumpre os requisitos, e o selo definitivo vem depois que a obra for concluída e verificada. São 153 metros de altura, dois apartamentos por andar com 204 m² privativos, quatro suítes e três vagas, com entrega prevista para dezembro de 2027. O projeto inclui captação e reaproveitamento de água da chuva, tecnologias para reduzir o consumo de energia, ventilação e iluminação natural bem aproveitadas e materiais de baixo impacto ambiental.

Senna Tower: o maior residencial do mundo mirando o LEED Platinum

Este é o projeto que colocou a cidade no noticiário internacional. As obras começaram no fim de setembro de 2025, e a torre terá mais de 550 metros de altura, 157 pavimentos e 228 unidades residenciais, em cerca de 145 mil m² de área construída. O Valor Geral de Vendas estimado é de R$ 8,5 bilhões, e um ano após o lançamento as vendas já passavam de R$ 2,4 bilhões, com cerca de 10% desse volume vendido para compradores estrangeiros.

O projeto persegue o LEED Platinum com materiais certificados, sistemas de eficiência energética, reaproveitamento de recursos naturais e paisagismo integrado à arquitetura. Se conquistar o selo, será o primeiro residencial supertall do mundo com essa certificação. Para quem acompanha o segmento de apartamentos em Balneário Camboriú beira mar, o Senna Tower mostra que sustentabilidade e ultraluxo passaram a caminhar juntos na Avenida Atlântica.

Auris Residenze: saúde e sustentabilidade no mesmo projeto

O Auris Residenze foi anunciado como um dos primeiros empreendimentos do país a reunir as certificações WELL e LEED, com projeto assinado por um premiado escritório italiano que fez ali sua estreia residencial no Brasil. A proposta de trazer vegetação para dentro da arquitetura mostra como a cidade está atraindo nomes internacionais para esse tipo de projeto.

PZ Ecomall: o selo também em operação

Nem todo selo é só para residenciais novos. O PZ Ecomall, espaço gastronômico inaugurado em 2020, recebeu o LEED voltado a operação e manutenção, que é concedido a edifícios já em uso. Esse exemplo é importante porque prova que o desempenho sustentável pode ser comprovado no dia a dia, e não apenas no papel.

O que muda na prática para quem mora em um prédio certificado

Essa é a pergunta que mais ouço dos clientes, e a resposta é mais concreta do que parece. Empreendimentos residenciais certificados no Brasil costumam alcançar, em média, cerca de 25% de redução no consumo de energia e entre 40% e 60% de economia de água, além de desviar a maior parte dos resíduos dos aterros sanitários.

No cotidiano, isso se traduz em:

  • Condomínio mais leve: áreas comuns com iluminação eficiente, elevadores com regeneração de energia e irrigação com água da chuva reduzem as despesas coletivas.
  • Contas individuais menores: vidros de alto desempenho, ventilação cruzada e bom isolamento diminuem o uso do ar condicionado, que no verão catarinense pesa bastante.
  • Ambientes mais saudáveis: tintas com baixa emissão de compostos tóxicos, ar interno renovado e muita luz natural.
  • Menos manutenção corretiva: projetos certificados costumam ter sistemas mais bem dimensionados e documentados.

Um ponto que sempre explico: o custo da obra representa apenas uma pequena parte, algo em torno de 15%, de tudo o que um edifício consome ao longo da vida útil. O restante é gasto com operação. Ou seja, o que você economiza morando no prédio durante décadas pesa muito mais do que a diferença no preço de construção.

Selo verde valoriza o imóvel?

Aqui entra a parte comercial, que interessa tanto a quem vai morar quanto a quem vai investir. Primeiro, o contexto de mercado. Em agosto de 2026, o preço médio anunciado em Balneário Camboriú chegou a cerca de R$ 15.343 por m², praticamente empatado com Itapema e Vitória, as três cidades que hoje disputam o posto de metro quadrado mais caro do Brasil. Nos últimos meses, a liderança desse ranking mudou de mãos várias vezes, o que mostra como esse grupo está isolado no topo do mercado nacional.

A valorização recente também impressiona. Em pouco mais de quatro anos, o preço médio anunciado dos apartamentos na cidade subiu cerca de 54%, saindo de perto de R$ 9.900 por m² em março de 2022 para mais de R$ 15.200 por m² em meados de 2026. E essa média esconde uma realidade bem diferente na orla: lançamentos e negócios de primeira linha frente mar na Avenida Atlântica giram entre R$ 60 mil e mais de R$ 100 mil por metro quadrado privativo.

Nesse cenário de preços elevados, o comprador fica mais exigente. Quando você compara dois imóveis em Balneário Camboriú de padrão parecido, o certificado costuma sair na frente por três motivos: custo de manutenção mais previsível, apelo para compradores estrangeiros e maior facilidade na revenda. No segmento corporativo, prédios certificados já demonstram aluguéis mais altos e menor vacância do que os convencionais. No residencial, essa tendência ainda está se formando, mas caminha na mesma direção.

IPTU Verde: existe benefício fiscal em Balneário Camboriú?

Existe, e muita gente não sabe. Balneário Camboriú tem um programa de IPTU Verde, que prevê redução do imposto para imóveis residenciais e comerciais que adotem medidas como captação de água da chuva, reuso de água, aquecimento solar, construção com materiais sustentáveis e telhado verde.

Na prática, o desconto depende de regulamentação, comprovação documental e pedido junto à prefeitura. Por isso, sempre oriento o cliente a perguntar ao síndico ou à administradora se o condomínio já solicitou o benefício. É dinheiro que fica no seu bolso todos os anos.

A cidade também atualizou suas regras urbanas recentemente. O novo Plano Diretor foi sancionado no fim de 2025, e a Lei do Microzoneamento, aprovada em 2026, busca um crescimento mais organizado, evitando sobrecarga na infraestrutura urbana. Esse movimento tende a valorizar ainda mais os projetos que já nascem eficientes.

Como saber se o selo verde de um prédio é verdadeiro

Na minha experiência, esse é o ponto em que o comprador mais se confunde. Material de venda fala em "prédio sustentável", "conceito verde", "ecológico". Nada disso é certificação. Antes de fechar negócio, confira:

  1. Registro versus certificação: o empreendimento pode estar apenas registrado no sistema, ter a certificação prévia do projeto ou já ter o selo definitivo. São etapas muito diferentes.
  2. Nome e nível do selo: peça por escrito qual certificação e qual nível (Gold, Platinum, Ouro, Platina etc.).
  3. Consulta nos diretórios oficiais: as entidades certificadoras mantêm bases públicas de projetos. Peça o número de registro e confira.
  4. Memorial descritivo: as soluções sustentáveis precisam estar descritas no memorial que integra o contrato, e não só no folder.
  5. Plano de operação: pergunte como o condomínio vai manter os sistemas funcionando depois da entrega. Uma cisterna sem manutenção vira problema.

Vale a pena pagar mais por um prédio com selo verde?

O custo para construir um edifício certificado costuma ficar entre 0% e 6% acima de uma obra convencional, enquanto o custo de operação cai bastante. Esse diferencial nem sempre chega integralmente ao preço final, porque em Balneário Camboriú localização, vista e assinatura do projeto pesam muito mais na formação do valor.

Minha visão, depois de acompanhar centenas de negociações, é esta: para quem vai morar, o selo verde entrega conforto e economia real. Para quem vai investir, ele melhora a liquidez em um mercado cada vez mais seletivo. O cuidado está em não pagar ágio por "sustentabilidade de marketing" sem certificação comprovada.

Dicas práticas para quem quer comprar um imóvel sustentável na cidade

Se você está pesquisando apartamentos em Balneário Camboriú beira mar ou em ruas mais internas, estas orientações ajudam a fazer uma boa escolha:

  • Compare a taxa de condomínio projetada com a de prédios convencionais do mesmo porte.
  • Pergunte sobre geração solar, reuso de água e automação das áreas comuns.
  • Avalie a orientação solar do apartamento; em BC, a face norte recebe sol no inverno e ajuda a reduzir a umidade.
  • Verifique o histórico da incorporadora em entregas e certificações anteriores.
  • Considere o prazo de entrega, já que parte dos lançamentos certificados só fica pronta a partir de 2027.

Contar com uma assessoria que conhece a fundo os lançamentos e os prédios prontos da cidade faz diferença nessa análise. A Imobiliária WOW Imóveis acompanha de perto os empreendimentos de Balneário Camboriú e pode ajudar você a separar o que é certificação comprovada do que é apenas discurso comercial, comparando custos, prazos e potencial de valorização de cada opção.

Perguntas frequentes sobre selos verdes em Balneário Camboriú

Existe prédio residencial com LEED Platinum em Balneário Camboriú?

Sim, em fase de projeto e obra. O Edifício Elbrus já tem a certificação prévia LEED Platinum, e o Senna Tower busca o mesmo nível. O selo definitivo é concedido após a conclusão e a verificação da obra.

Selo verde reduz o valor do condomínio?

Tende a reduzir as despesas de energia e água das áreas comuns, que representam boa parte da taxa. O resultado final depende também do nível de serviços e do lazer oferecido.

Qual a diferença entre LEED e WELL?

O LEED avalia principalmente o impacto ambiental do edifício. O WELL foca na saúde e no conforto das pessoas que vivem ali. Alguns projetos buscam os dois.

O IPTU Verde vale para apartamentos?

O programa municipal contempla imóveis residenciais e comerciais que adotem as medidas previstas, mas o benefício depende de solicitação e comprovação junto à prefeitura.

Sustentabilidade é o novo padrão do alto padrão

Balneário Camboriú já provou que sabe construir alto. Agora, a cidade está provando que sabe construir melhor. Os selos verdes deixaram de ser exclusividade de prédios corporativos e chegaram aos residenciais mais desejados do país, trazendo economia, conforto e segurança para quem compra.

Se você está planejando seu próximo imóvel na cidade, coloque a certificação ambiental na sua lista de critérios, ao lado da localização e da vista. Pergunte, confira os documentos e compare. Em um mercado onde o metro quadrado está entre os mais caros do Brasil, escolher um prédio eficiente é uma decisão que protege seu patrimônio por muitos anos.